Geo-ação: Leituras do Processo de Territorialização-Desterritorialização-Reterritorialização das Comunidades do Jaraguá e da Orla Lagunar de Maceió

A Vila dos Pescadores do bairro de Jaraguá, conhecida como favela de Jaraguá teve a sua formação iniciada em tempos imemoriáveis, sendo considerada por alguns pesquisadores como uma comunidade de pescadores tradicionais. É composta por aproximadamente 400 famílias, e esta em uma área que vem sofrendo nos últimos anos, desde o desenvolvimento do projeto de revitalização do Jaraguá, forte processo de valorização e especulação por parte de grupos financeiro ligados ao setor turístico.

Já as Comunidades Sururu de Capote, Torre, Muvuca e Mundaú, localizadas na Orla Lagunar de Maceió, no bairro do Vergel tem seu histórico de formação ainda no período colonial, quando foi ocupada pelos estivadores e trabalhadores em geral do Porto de Maceió, que necessitavam moram perto do local de trabalho. No inicio da década de 1970, a orla da Lagoa Mundaú teve um mono movimento de ocupação com a chegada de populações vindas de outros municípios do estado. Pressionadas pela crise que assola o setor sucroalcooleiro, essas populações partiram do interior em busca de emprego e melhores condições de vida para suas famílias, o que no foi encontrado na capital.

A Comunidade de Jaraguá e Comunidades Sururu de Capote, Torre, Muvuca e Mundaú, assemelham-se não somente por viverem em condições no limite de precarização da vida, habitando espaços socialmente degradados e diferenciados no que se refere à inserção das políticas públicas do Estado. É comum nessas Comunidades a ocorrência de fatos relacionados a criminalidades, tais como assassinatos e trafico de drogas. Mas, para além dessas “semelhanças”, ocupam áreas que ao longo dos anos vêem sendo objeto de desejo do Estado de Alagoas para implantação de complexos turísticos para a burguesia local e nacional.

 

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Figura 1. Comunidade Vila dos Pescadores do Jaraguá.

NUAGRÁRIO (2012).

       

Dessa forma com a justificativa de melhorar a qualidade de vidas dos moradores dessas comunidades, o governo de alagoas interveio nas comunidades diversas vezes, descolando parcelas de suas populações para outros locais da cidade. Como exemplos dessas tentativas podem citar a urbanização realizada no Dique-Estrada na década de 1980, quando formaram construídos os conjuntos habitacionais como Virgens dos Pobres e Conjunto Joaquim Leão. Para esses conjuntos foram transferidas algumas famílias moradoras dos assentamentos autoconstruídos localizados no entorno da Lagoa Mundaú; a comunidade do Jaraguá também de sido alvo de constantes intervenções de deslocamento compulsório, os moradores dessa comunidade tem sido relocados para diferentes conjuntos habitacionais construídos para esse fim no bairro Benedito Bentes.

Contudo o que é de conhecimento público é que, em geral, esses moradores reassentados em outros locais diferentes e muitas vezes distantes do seu local de moradia original, mesmo com os órgãos públicos responsáveis pelo processo terem derrubado os casebres, os moradores tem retornado para as áreas e constroem novamente os seus barracos e retornam a forma de reprodução da vida anterior, ou seja, pescar e mariscar. Pois apesar das dificuldades, os moradores têm consolidados laços de pertencimento e identidade.

 

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Figura 2. Pescadores na Comunidade Vila dos Pescadores do Jaraguá pós-pesca de peixes.

NUAGRÁRIO (2012).

                     

Diante dos fatos expostos observa-se que mesmo com toda a pressão e discriminação social aos quais os moradores dessas áreas são submetidos, os mesmo tem organizadamente resistido para garantir o direito de trabalhar – pescar e mariscar – próximos as suas residências.  Todavia, as novas intervenções do estado começam a dividir as comunidades, entre os que querem sair e os que querem ficar, e o grupo social se divide em torno da polarização dos interesses, de um lado os que necessariamente te a sua reprodução social condicionada aos recursos naturais disponíveis no entorno das comunidades, de do outro lado estão os que trabalham em diversificadas atividades vinculadas, em sua maioria, ao comercio informal.

A partir do contexto acima a proposição extensionista justifica-se por articular ensino, pesquisa e extensão, tendo como ponto de partida as Comunidades do Jaraguá, Sururu de Capote, Torre, Muvuca e Mundaú. Buscando resgatar a origem das comunidades e registrar a sua luta e estratégias de resistência. Segundo artigo de Parmênides Justino – A guerra de Jaraguá (publicado em 16/09/2009) – esse pesquisador destaca que as operadoras turísticas têm grande interesse em expulsar os pescadores para fazer uso do lugar. Essas tem o Estado com seu principal parceiro, este expulsa as populações, e o capital imobiliário e turístico vem e se apropria, fazendo valer os seus interesses. O autor lembra que, tentaram fazer isso na orla lacunar, e agora querem a praia, buscando espaço para ampliação do cais do porto para receber transatlânticos e construir uma marina sobre a vila de pescadores para os turistas chegarem a Jaraguá pelo mar, além de ativar a indústria náutica na cidade.

Essa pesquisa é oportuna, pois nesse momento essas comunidades passaram por um novo processo de retirada, com o financiamento do Governo Federal, via Programa de aceleração do Crescimento (PAC 2), a intervenção consiste em um projeto de urbanização da Orla Lagunar – do Bom Parto até o Bebedouro – consta na proposta a construção de unidades habitacionais em áreas próximas, para realocação das comunidades que vivem as margens da lagoa. Paralelo a isso, a comunidade da vila de pescadores também serão relocadas, para outras áreas ainda não definidas. É todo esse processo de negociação, resistência e conflitos que pretendemos acompanhar.

Publicações

Geo-ação: Leituras do Processo de Territorialização-Desterritorialização-Reterritorialização das Comunidades do Jaraguá e da Orla Lagunar de Maceió

Clique no link abaixo para baixar o artigo "Comunidade Vila dos Pescadores Artesanais do Jaraguá, Maceio-AL: Territorialidade e Resistência".

https://pt.calameo.com/download/002169619af7c57da2534

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Clique no link abaixo para baixar o artigo "A Complexa Tessitura da Cadeia Produtiva da Pesca Artesanal na Comunidade Tradicional Vila dos Pescadores de Jaraguá, Maceio/AL".

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Clique no link abaixo para baixar o artigo "O Trabalho alienado e a subserviência da pesca ao capital na Comunidade do Jaraguá, Maceió/AL".

https://www.calameo.com/books/002169619c7e45ce9c905

Clique no link abaixo para baixar o artigo "Geo-ação: Leituras do Processo de Territorialização-Desterritorialização da Comunidade Vila dos Pescadores Artesanais do Jaraguá, Maceió/AL".

https://www.calameo.com/books/002169619b1dce8a93d47

Clique no link abaixo para baixar o artigo "Desterritorialização e Reterritorialização da Vila de Pescadores de Jaraguá".

https://www.calameo.com/books/002169619694a02e10b2f

Clique no link abaixo para baixar o artigo "Vila de pescadores comunidade histórica e tradicional do bairro de Jaraguá em duelo - Maceió/AL".

https://www.calameo.com/books/002169619859f6de42b03


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